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Povos Indígenas e o Alimento

DEBATE

PARTICIPANTES Ariela Doctors · Ava Kwarahy Rendyju · David Vêluz · Paulo Junqueira · Renata Meirelles

DEBATE

SOBRE O DEBATE

Baseado no filme Do Colo da Terra

O Que a Comida Significa para uma Comunidade e para a Continuidade de um Modo de Vida?

Do cultivo da mandioca e do preparo ancestral da perereba entre os Ikpeng ao cotidiano lúdico, livre e profundamente integrado à floresta vivido pelas crianças Guarani Kaiowá, Guarani Ñandeva, Baniwa e Kisêdjê, a relação dos povos indígenas com a terra vai muito além do mero sustento. Como demonstra o documentário Do Colo da Terra (2025), de Renata Meirelles e David Vêluz, é no “colo da Terra” que se formam a identidade, a cultura, o aprendizado comunitário e os afetos. Para as populações originárias, o ali - mento não é uma mercadoria. A comida é vínculo com a ancestralidade, celebração da vida coletiva e um pacto permanente de respeito e cuidado com a natureza.

No entanto, as transformações do mundo contemporâneo trazem novos e complexos desafios para o interior dos territórios. A chegada da internet por satélite, o trânsito de jovens entre as universidades e as aldeias e a invasão silenciosa dos alimentos ultraprocessados colocam essas comunidades diante de muitos desafios e uma encruzilhada crucial. Se, por um lado, a conectividade fortalece a denúncia de invasões e amplia o acesso a novos direitos, por outro, expõe as futuras gerações aos estímulos do consumo urbano, à substituição das brincadeiras pelo sedentarismo das telas e à troca da comida tradicional por produtos ultraprocessados, ameaçando a saúde física e cultural dos povos da floresta.

Diante desse cenário, emergem perguntas fundamentais sobre o nosso tempo: como viver a interculturalidade sem perder a essência do pertencimento? Como absorver novos conhecimentos e defender o território sem permitir que o ritmo e os hábitos do capitalismo ocidental apaguem saberes construídos ao longo de milênios?

Tendo como ponto de partida o filme de Meirelles e Vêluz, com suas vivências poéticas, e as inquietações do ensaio “Como Ser e Não Ser – Como Permanecer Sendo, Quando o Mundo Inteiro Passa a Habitar Dentro do Seu Território?”, de Ariela Doctors (Instituto Comida e Cultura, 2026), a mesa reúne especialistas, lideranças e educadores para discutir a soberania alimentar indígena, a centralidade das infâncias na preservação da sociobiodiversidade e as potências de resistência que emergem quando o mundo inteiro passa a caber na palma da mão.

PARTICIPANTES

Ariela Doctors

Ariela Doctors

é comunicadora, mestre em nutrição, especialista em educação sistêmica, cofundadora e diretora geral do Instituto Comida e Cultura, e responsável pelos debates e pelas aulas show do SPFFF.

Ava Kwarahy Rendyju

Ava Kwarahy Rendyju

É admirador da obra de Nhanderu Guassu e apaixonado por roça, pela natureza e pelas tecnologias espirituais a partir das quais elas habitam a terra, produzem vida e alegria. Doutorando em Geografia pela Universidade Federal da Grande Dourados, é autor de Tecnologias Espirituais: Reza, Roça e Sustentabilidade (2026).

David Vêluz

David Vêluz

É documentarista, codiretor de Do Colo da Terra e diretor de fotografia. É responsável pela fotografia de todos os filmes do Projeto Território do Brincar e de diversas produções para organizações como WWF, Nature Conservancy, Federação das Escolas Waldorf do Brasil, entre outros.

Paulo Junqueira

Paulo Junqueira

É psicólogo com especialização em crianças e adolescentes. Atende há 26 anos populações indígenas da bacia do Xingu pelo Instituto Socioambiental. Atualmente coordena as ações na Terra Indígena Panará.

Renata Meirelles

Renata Meirelles

É coordenadora do Projeto de Pesquisa Território do Brincar, idealizadora do Projeto Bira – Brincadeiras Infantis da Região Amazônica, e codiretora da Produtora Audiovisual Ludus Vídeos e Cultura. Realizou, entre outros, os longas Território do Brincar (2015) e Do Colo da Terra.

HORÁRIOS

08/10 · Thursday 22h00 Reserva Cultural - Sala 2